
Já está feita.
Foram difíceis os últimos dias. Estive com os dois pés fora da corrida, mas na véspera, um acesso de lucidez, lá me pôs a arranjar o equipamento, as barrinhas de cereais, a água. Lá fui. Tinha 2 ou 3 horas de preparação psicológica, uma noite para dormir e o resto tinha sido feito... treinos de acordo com o planeado.
De manhã correu tudo como estava previsto. Comi cereais com sumo de laranja, na companhia o meu filho que gosta de acordar cedo, avisei o meu companheiro que ia chegar atrasado, mas também tínhamos combinado com uma margem bem jeitosa. Depois, arranquei de casa, fui para o Parque da Cidade e de autocarro para o local da partida. A excitação percebeu-se... a rapaziada cumprimentava-se efusivamente antes da partida, muitos sorrisos, a Aurora Cunha andava por ali a dar força "Força, força... vamos lá"... e pummm... Lá fomos.
Os primeiros 10 Km foram lentos, aproximadamente 56 min. e sentia-me muito forte. À meia maratona estávamos com 1h e 56, novamente, sentia-me mesmo bem. Comecei a acreditar na possibilidade das 4 horas. Aos 30, com cerca de 2h e 50, já me senti a quebrar. O Luís, o meu parceiro, estava mais forte e ele queria ficar comigo, mas disse-lhe para seguir (sentia-me mal a tentar segui-lo a ele e eu queria era encontrar o meu ritmo). Encontrei um bom ritmo e passado um bocado estava com ele bem à vista. Aos 35Km, com cerca de 3h e 18, ainda eram possíveis as 4 horas, mas comecei a ficar sem glicogénio nos músculos das pernas... quebrei muito mesmo. Passei a fazer um ritmo diferente, mais lento, não era capaz de mais. Aos 37Km, com 3h e 30 min., percebi que àquele ritmo ia ultrapassar as 4h. Não houve problema, era importante acabar, fui no ritmo e sempre a correr. Foi maravilhoso o encontro com a minha família aos 40 Km... o meu filho desata a correr na minha direcção, depois seguia-me, é tão tão bom... Recebi essa força e depois foi lentamente até à meta. Ainda voltei a ter o apoio pessoal da Aurora Cunha e de outras pessoas que nos tratavam como "és um campeão", "esta já está", para além das coelhinhas da playboy, francesas, que estavam a acompanhar um grupo que andava mais ou menos ao meu ritmo, fizeram questão de me dar um aplauso final, ... já era um velho conhecido delas. Espectacular mesmo era a forma como os ingleses, franceses e espanhóis nos apoiavam. E é claro que também os portugueses ... Deviam era ser todos assim... este povo corredor fazia isto em êxtase.