sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Em período de reflexão…

(antes de postar a "tal" reflexão, quero agradecer aos que me felicitaram por estes dias. Foram muitos, e sei que outros o não fizeram por estarmos em período de férias... a eles também agradeço... Não vou nomear aqui a malta porque seriam muitos... também contam os do Facebook, dos SMS e e-mails)

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Como estou em fase de descanso, entrei em período de divagação e novos projectos. Estou a pensar em várias possibilidades: maratona do sol da meia-noite (Noruega: Tromso, a 30 de Junho de 2012… ), que é uma viagem que permite contactar com outra sociedade, compreender os outros e conhecer-mo-nos um pouco melhor... Ou então repetir a façanha da distância IRONMAN numa versão mais “curta de orçamento”, reduzindo a estadia no local do evento ao fim-de-semana: Ironcat, Ampola, Espanha a 12 de Maio de 2012 … Ainda tenho em mente os 101Km de Ronda, que ainda está sem data marcada… que poderia ser feito na versão turística (1 semanita no sul de Espanha) ou na versão de orçamento curto…

Mas também temos que ver onde nos leva esta crise, e a vida, porque há nuvens muito negras a pairar nos nossos céus…

Mas a reflexão não é só divagação… alguns dos meus companheiros de blogosfera deram-me deixas para poder deambular um pouco mais por pensamentos…

Chorar ou não chorar…

O Nuno (no Facebook) e o Pinheiro, num comentário aqui no blog, fazem uma referência à minha contenção do choro no momento em que me emocionei ao passar por público que aplaudia e dava força a todos os atletas, ainda na fase inicial da maratona do Ironman Regensbourg… eu sei que é meio na brincadeira… 

Ora, quando escrevi o que escrevi, quis transmitir o sentimento tal qual o vivi… é verdade que contive o choro, é verdade que pensei que não fazia sentido chorar por “aquilo”. Mas não é por achar qu
e um homem de 38 anos não deve chorar. Bem pelo contrário, eu choro. Choro, normalmente, de alegria ou de tristeza. Choro quase sempre quando tenho a minha mulher e filhos envolvidos… ou outras pessoas de que gosto muito muito. Também choro, por exemplo, por causa dos meus pais e irmãos. Repito: por tristeza e por alegria (a última vez que chorei, nem sequer parei de chorar de alegria, para passar a chorar de tristeza…). Mas, eu sei que ainda chorarei lágrimas que não derramarão a dor que hei-de sentir. Nesse dia não haverá racionalização que me valha. E essa contenção (na prova de Regensbourg) representa isso mesmo: uma estranha espécie de poupança de lágrimas (isto é o Psicólogo a falar, não eu) para as dores que sei que virão. Adoro o triatlo, foi uma sensação incrível fazer aquela prova, chegar ao fim, sentir aquele privilégio de contemplar a festa por dentro, de sentir o meu corpo de dentro de mim, as minhas sensações no percurso, perante o feito… Mas, eu pratico desporto porque quis recuperar algo de mim que estava quase perdido: o meu aspecto, a minha saúde, a imagem que os meus filhos terão para todo sempre do pai. As alternativas eram (1) a de um homem muito dedicado ao trabalho (workaholic), fumador, quase obeso e com aspecto doente, que chegava a casa e mal conseguia levantar-se do sofá… não tinha forças para brincar com eles, para os empurrar no triciclo, ou na bicicleta; e a minha opção foi (2) dedicar-me ao desporto, estar em forma, sim, porque todos os dias sou capaz de carregar com o meu filho mais velhos às cavalitas… no dia seguinte ao Ironman carreguei com ele pelas ruas de Regensbourg… ter um aspecto mais saudável, ser mais jovial, mas calmo e lúcido: ser um bom exemplo para eles. E isto é o mais importante para minha vida. Percebo que haja muitas motivações para se praticar desporto. Uns é porque querem alcançar grandes feitos, outros porque adoram a sensação da competição, outros porque querem imaginar-se um pouco como atletas e outros até porque querem ser “o único” cá do burgo a fazer aquela prova/distância … se calhar também tenho muito disto que para aqui estou a dizer… e eu respeito estes sentimentos e estas razões. Mas, para mim, a razão maior é ser uma pessoa com bom aspecto, praticante de desporto, capaz de realizar feitos que orgulhem os meus filhos hoje e sempre, tentando tirar algum prazer disto. Agora, os objectivos que estabeleço, os projectos, são a estratégia que arranjei para me mater a praticar desporto…

A família…

Por muito que haja pessoas na minha família que não o compreendem, a primeira razão disto tudo é mesmo a família. Se não tivesse filhos, provavelmente não particava triatlo. Por essa razão é que também empurro os meus treinos para os “buracos” da minha vida. Não treino às 5 ou 6 manhã porque a qualquer momento os meus filhos acordam e passo a ter responsabilidade nas tarefas que têm que ser feitas. E se estou a treinar, sobrecarrego a minha companheira (não posso esquecer que tenho treinos de 2 e 3 horas, o que, conjuntamente com o banho, implicaria estar quase até às 9h ocupado com aquilo… isto, se acordasse às 4:30h). Por isso, treino à noite, e os atrasos e demoras têm o maior impacto nas horas que durmo… Faço-o, normalmente, depois de deitar o meu filho mais velho e, é verdade, deixo a minha companheira encarregue de deitar o mais novo… e nisto ela fica desapoiada… É claro que a família também perde quando tenho que treinar as manhãs de Sábado e Domingo… mas tenta-se compensar com uma tarde 100% dedicada (mesmo que completamente rotos…), ou então acordamos mais cedo para estarmos em casa a tempo de fazer o almoço (entre as 6 e as 11 horas dá para muitas horas de treino + banho)... Outra nota: nos últimos 6 meses abdiquei completamente de trabalhar em horário pós laboral, recusei trabalho, trabalho que era bem pago… tudo para poder estar mais tempo com a família numa fase em que sabia que treinaria mais horas que o normal. Nunca na minha vida profissional tive o meu horário tão contido ao horário normal de trabalho, como nos últimos 6 meses. Nunca passei tanto tempo com a família como nos últimos 6 meses… e isto foi dificílimo …

Isto foi o que eu procurei fazer e fiz. Porque a minha principal motivação é o orgulho que quem me rodeia tem em mim. É uma parte do orgulho que quero que os meus filhos tenham em mim… mas não é só isto.

Sim, a minha família sacrificou-se, mas eu procurei fazer com que nem dessem por isso. Estou certo que os meus filhos e a minha companheira nem sabem bem quantas foram as horas que passei a treinar… enquanto dormiam.

E eu amo-os.

3 comentários:

Pedro Brandão disse...

Rui. Não te conheço bem. ALias só estive contigo uma vez na maratona do Porto em 2010 por entremedio do João Correia. TRocamos alguns mails e comentários no blog. Deixa-me só dizer-te isto: o Iron Man comparado com o relato que fazes sobre a tua familia e os sacrificios adjacentes, é um pequena caminhada de 2 minutos para ir buscar pão. A sério, pá!!! Isto que acabaste de dizer é com o que eu me identifico e também o que me dá força para treinar e praticar uma vida saudavel. São eles (familia) o nosso motor as nossas pernas os nossos braços a anossa respiração. Cada metro dos nossos treinos e provas são a pensar em nós e neles obviamente.
Um grande bem haja para pessoas como tu e como a tua familia que tem a sorte de ter um Iron HOMEM como tu!!!GRande abraço.

Rui Pena disse...

Boas Brandão...

Eu sei que há muito mais malta com este tipo de motivações... Leio-o nos blogs... Com outros percebe-se pelos hábitos que têm nos treinos... E tenho pessoas que me são próximas que praticam corrida... e também é como o meu caso... até é muito idêntico. ABRAÇO para ele que ainda vai ler isto...

Já agora, ainda há malta aqui nos blogs que até se preocupa (no melhor sentido que isto pode ter...) com a forma como a malta gere as questões familiars vs treinos vs impulso incontornável para nos lançarmos nestes desafios... Para ele um abraço (ele sabe quem é... e também ainda vai ler isto)...

Abraço para todos também.

MT disse...

Parabéns pelos magnificos posts que tens feito. São uma lição para todos nós.É impossível não ficar emocionado ao lê-los.

Abraço