
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Maratona de Lisboa

domingo, 5 de dezembro de 2010
Maratona de Lisboa = 3:38:45
terça-feira, 9 de novembro de 2010
A explicação… existirá?
domingo, 7 de novembro de 2010
Um belo estouro

Pois foi... foi um estouro aos 30Km... e assim conheci a "parede" no seu esplendor...
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
O caminho para a Maratona do Porto a 7 de Novembro

segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Relato da 6ª Maratona do Porto
Mas vamos à maratona.
O que antecedeu a maratona:
Dormi bem, acordei bem e tomei um belo pequeno-almoço: cevada (uma grande malga), pão branco com mel (comi mais que o normal sem ficar enfartado). O meu intestino é um relógio e ontem estava certinho… O plano preparado na véspera foi executado quase automaticamente, sem qualquer stress. À saída de casa levava comigo bebida energética e água, para hidratar antes da partida. Tinha um encontro marcado para as 8h, com um primo meu e um colega (eles correriam os 14Km), junto ao Parque da Cidade. Enquanto os esperava, ainda troquei umas palavras com o Mark Velhote, que me pareceu mentalmente forte e descontraído q.b.. Entretanto, o meu primo tinha-se deixado dormir, mas como estava com tempo, nem isso me stressou… Lá apanhei o autocarro e fui para a partida. Foram muitos os bloggers com quem me fui cruzando, cumprimentando, sempre contente por os rever… mas o meu foco já era a maratona. Fiz as “devidas necessidades” e ainda reencontrei um companheiro de parte da Maratona Carlos Lopes de Maio passado, com quem revivi alguns dos momentos que passámos. No meio disto tudo, quando se aproximou o momento de partida, optei por estar mais perto dos companheiros bloggers do que sozinho, mas também não combinei nenhuma estratégia com ninguém, nem era a minha intenção, porque queria estar muito atento ao meu corpo… seria ele a ditar o ritmo a que iria.
Partida…
A maratona:
O primeiro quilómetro foi lento devido a subida mais acentuada da corrida e porque tive que serpentear por entre alguns corredores mais lentos que tinham partido à minha frente. Nada de problemático porque a Avenida da Boavista rapidamente me colocou a um ritmo próximo dos 4.35/Km. Nesta altura comecei a ter um companheiro blogger por perto, o Ricardo (ora um pouco à frente, ora um pouco atrás). Acrescentámos mais algumas impressões sobre as nossas pretensões (já tínhamos conversado antes de partirmos), que estavam entre as 3:30 e as 3:45.Disse-lhe que ele ia ser uma referência para mim, mas a minha intenção era não seguir outros corredores… apenas o meu corpo. E foi depois do Km 6 que o meu corpo me disse que tinha a bexiga cheiinha. Ora bolas! Lá teve de ser, mesmo depois de ter tido o cuidado de a esvaziar antes da partida!!! Não tive dúvidas, valia mais agora que mais tarde porque ainda estava a aquecer… O tempo que perdi, afastou-me do Ricardo até ao fim. Acho que ele nem se apercebeu da minha paragem porque no retorno do edifício transparente ele pareceu ficar surpreendido com o meu atraso. Nada de mais, só tinha que gerir o esforço (pensava para comigo) e não me precipitar em tentar voltar a alcançar o Ricardo. Segui o meu percurso solitário, mas ao Km 10 tinha o meu amigo André à minha espera (de bicicleta), que me daria todo o apoio de que necessitava…
Passei pelos 10 Km com cerca de 48:30h, mas sempre confortável. Depois do Passeio Alegre, e já na companhia do André, passou por mim cerca de 15 corredores (em grupo) que me convidaram a seguir o ritmo deles, que era de 5min/Km. Ainda apanhei boleia por um par de quilómetros, mas, voltou a assolar-me o pensamento da gestão do esforço… e segui o meu ritmo. Ainda demorou bastante tempo a perder de vista este grupo, praticamente só no retorno da Afurada… mas eu ia ao meu ritmo.
A ponte Dom Luís tinha um dos pontos mais excitantes da corrida. Tratava-se de um sítio em que o público poderia acompanhar os amigos e familiares em vários momentos da corrida: aproximadamente aos 14 km, para quem ia para a Afurada; aos 25Km para quem já estava a caminho da Ponte do Freixo; e aos 32 para quem seguiria pelo túnel da Ribeira em direcção à meta. Ora, a festa era enorme, com muito apoio, muita força dada pelos espanhóis que não olhavam a nacionalidades… era claro que eles percebiam que o que eles nos estavam a dar significava muito para nós. Para mim, foi sempre bom passar por este local.
Nesta altura a alimentação à base de gel continuava a seguir o esquema que tinha predefinido (90 a 180 Kcal por cada 5 Km). O meu amigo André passava-me o gel, dava-me bebida energética e fazia-me companhia…
Antes da meia maratona concentrei-me nos companheiros bloggers que seguiam à minha frente, que já vinham da Afurada e aos quais tentei dar um pal
Entrei nos 30Km com pouco mais de 2:30h. Eram os 30Km mais rápidos que tinha feito. Nunca um treino de 30Km demorou menos que 2:35h, tão pouco nas 2 anteriores maratonas tinha alcançado esse tempo nesta fase da corrida. Mas o melhor, era a força com que me sentia. Ainda me questionei se teria sido a alimentação (até aos 30Km consumi cerca de 600kcal de gel), da chuvinha refrescante (?) … rapidamente voltei para a prova e deixei as explicações. Já próximo do túnel da Ribeira sinto o Almeida com um ligeiro abrandar, mas eu continua confortável. Acabei por me deixar levar pelo meu ritmo até ser alcançado por dois maratonistas que vinham num bom ritmo e que decidi seguir. Não troquei uma palavra com eles, nem era necessário, estávamos ali para o mesmo e juntos conseguíamos mais. Foram a minha companh
ia num ritmo que iria cair aproximada- mente nas 3:32h, mas aos 37,5Km comecei a sentir-me a fraquejar. Deixei seguir estes dois companheiros e fui ficando para trás deles. É certo que nunca foi muito difícil, afinal de contas já estava em plena Rua do Brasil, bem próximo do ponto de encontro com a minha família, no edifício transparente. Fui-me distraindo com essa ideia, não forcei muito, mas já não segui o ritmo forte com que estive nos quilómetros anteriores. Depois do reconfortante encontro com a minha mulher e filho, deixei de ter foco mental e tentei reatar um ritmo forte, mas já não deu para grande coisa. Foi a altura em que mais senti o André a tentar apoiar-me, mas eu estava noutro mundo… (obrigado para ele). Controlei o tempo aos 40Km e aos 41Km e estava convencido que baixava das 3:35h … mas isto são 42Km e...195m e nem sprintei…3:35:08 foi excelente para mim… Mas, acima de tudo, esta foi a maratona que me deu mais prazer, foi a maratona em que senti ter a corrida controlada, ou melhor, em que aprendi que é possível ter esta corrida minimamente controlada. Há desafios que tenho na minha vida que passam por ter confiança em enfrentar esta distância.
Hoje já tenho essa confiança.
domingo, 8 de novembro de 2009
03:35:08

Está concluída mais uma maratona, com o meu melhor tempo das 3 que já acabei, tendo ganho cerca de 14 min à marca de Maio passado na Maratona Carlos Lopes.
Na minha antevisão, achava que o tempo de 3:40 seria bom, havendo um desejo de conseguir baixar das 3:30. Situação que achava pouco provável, dado uma série de condicionantes. A principal era a crença de que estou em menor forma que em Maio, tendo, por exemplo, falhado o teste para esta maratona, na meia maratona SportZone (tempo superior a 1:40), quando em Abril tinha feito a meia maratona Cego de Maio na casa da 1:36… Para além disto, na penúltima semana estive constipado, o que antecipou o descanso em 8 dias.
Mas, o que mais queria desta Maratona, 1 ano e ½ depois de me ter iniciado na corrida, era acabar com a sensação de que já domino a distância. É certo que há quem defenda que esta distância nunca se domina (eu tenho no meu programa um dia desistir de uma maratona), mas, para mim, dominá-la era chegar ao fim sem a sensação de ter sofrido imenso para a acabar (situação que aconteceu nas duas primeiras). Assim, no meu ponto de vista, era importante ter duas meias maratonas equilibradas em termos de desempenho. E assim foi: hoje fiz a 1ª meia-maratona em 1:45h e a segunda em 1:50h… A quebra foi ao Km 37,5… ao contrário das outras vezes que foi antes dos 30Km. E desta vez, a quebra, não chegou a derrear-me completamente, tendo conseguido manter um ritmo sem nunca chegar aos 6min/Km e em que ganhava mais lugares do que os que perdia… havia muito mais gente a passar bem pior do que eu.
Estou satisfeito, apesar de não ter alcançado o objectivo que tinha estabelecido para este ano de 2009 (tempo da maratona abaixo das 3:30h).
Para este resultado acho que houve vários factores favoráveis:
1 – Alimentação. Depois do final das minhas férias de Agosto resolvi riscar da minha dieta os doces e as gorduras. Acabei por perder 4 quilos: antes de começar a Maratona Carlos Lopes, depois dos reforços de massa da véspera, pesava 76,6Kg. Hoje de manhã, também depois dos reforços, pesava 72,8Kg;
2 – Treino de base. Em Agosto e Setembro não fiz séries nem treinos de intensidade (excepto nas provas em que participei… triatlos de Setembro). Só em Outubro recomecei as séries). Foram meses de treinos longos… que procurei fazer em ritmo de endurance, aumentando a intensidade nos quilómetros finais;
3 – Descanso antes da prova. Um bocado forçado na penúltima semana antes da maratona devido à constipação, mas nos 3 últimos dias só fiz 4Km, ontem de manhã – este descanso pareceu-me relevante, por exemplo, para chegar à meia-maratona com 1:45h, bastante confortável;
4 – Hidratação… diária. Há um hábito que adquiri nos últimos meses que vou tentar preservar. Chá. Bebo todos os dias chá. Faço aproximadamente um litro e vou bebendo ao longo do dia, à noite. Assim, é mais agradável estar a beber "água" ao longo do dia, juntando-lhe a água que costumo beber, por exemplo, durante ou depois dos treinos, acredito que beba quase todos os dias pelo menos 2 lts de água – para além disso, também abandonei o vinho :) (costumava beber um copo ao jantar);
5 – A alimentação durante a prova. Optei por ingerir o gel (de absorção lenta) que tenho consumido em provas de BTT, triatlo, treinos e com o qual me tenho sentido bem. Disciplinadamente, consumi 90 a 180kcal por cada 5Km, até aos 25Km. Depois disto, acabou e só tinha gel de absorção rápida, que optei por não tomar (nunca me dei muito bem com ele e estava com a sensação de que o que meteria para dentro vinha cá para fora…);
6 – O tempo que se fez sentir hoje. A chuvinha refrescante e o vento que não apareceu, ajudou e muito. Antes de partir, pensava que era um dia idêntico (talvez melhor) que o dia em que tinha corrido a meia maratona Manuela Machado (Janeiro de 2009), onde consegui a minha melhor marca na meia-maratona;
7 – O apoio durante a prova. Pedi a um amigo meu (André) para me acompanhar de bicicleta (é o desporto que ele anda a praticar), fornecendo-me o gel e bebida energética sempre que eu precisava. Nem precisei muito, porque não cheguei a sentir sede (o tempo que se fez sentir, ajudou), mas foi uma presença constante, dedicada a mim… e isso significou mesmo muito. O meu grande obrigado para ele.
Para este resultado acho que houve vários factores perturbadores:
1 – O período que vivo em termos profissionais desde o final das férias tem sido de grande intensidade… há stress associado, muitas viagens pelo país e como agora sou Profissional Liberal tenho que dar-lhe bem porque em Dezembro quero estar de férias, concentrado no novo membro da família que está a chegar. Apesar desta parte da minha vida profissional estar a correr bem, é difícil depois das 22:30h ir treinar… Mas assim fui fazendo, acumulando stress com treinos, o que tem sido dose;
2 – A maratona não foi o meu foco principal até ao dia 4 de Outubro. Até aí, pensei mais nas provas de triatlo que na maratona. Quero investir no triatlo e nunca deixei de treinar natação e ciclismo, tendo inclusivamente sido necessário investir fortemente na natação para recuperar a paragem (na natação) de Agosto… acho que vai continuar a ser assim.
Para já, como balanço do dia de hoje, ele deu-me segurança quanto à expectativa de poder baixar das 3:30h no próximo ano. No entanto, ainda não sei se vou fazer 1 ou 2 maratonas… aguardo o calendário de triatlo para decidir a minha agenda. Para já vou fazer uma maratona de BTT dentro de 15 dias, em jeito de treino mesmo, e tentar melhorar os tempos dos 10 Km na Volta a Paranhos e nas São Silvestres… com o olho na próxima época de triatlo.
Ah… para acabar… GRANDES tempos para os meus parceiros bloggers… Parabéns para eles: António (grande melhoria na marca), Miguel (à beirinha do objectivo), Meixedo (no seu melhor), Velhote (extraordinária estreia), Capela (sempre a melhorar), Ricardo (foi a minha referência e saiu-se muito bem na viagem ao continente), Fernando (ao nível do que nos tem habituado), Mota (este homem é impressionante), João (sempre bem... venha lá esse blog ), Nuno K (mais uma!) … e o Brito e a Otília (bons tempos). Se me esqueci de alguém, peço desculpa.
Abraços para todos.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Ei-la
Cerca de um ano e meio depois de me ter iniciado na corrida, enfrento agora a 6ª Edição da Maratona do Porto.Há uma série de aprendizagens que espero ter bem integradas no próximo Domingo. Aliás, no dia da prova, o que é decisivo é isso mesmo: o que sabemos/aprendemos sobre a maratona e a forma como a nossa mente utiliza esse saber… o treino, esse, já foi feito e nada mais há a fazer.
No próximo Domingo vou tentar partir chamando-me à atenção de que ainda sou pouco rodado para andar nestas coisas de maratonas… logo, tenho que ser comedido nas ambições.
Se sou pouco rodado para fazer esta maratona, menos ainda era nas outras duas (5ª Maratona do Porto e 4ª Golden Marathon Carlos Lopes).
Dessas duas experiências, tem-me assolado a constatação da dificuldade que tive nos últimos quilómetros. Na 5ª Maratona do Porto, fiz a 1ª meia maratona em 1:56h e a 2ª meia maratona em 2:12 (tempo total: 4:08). Na 4ª Golden Marathon Carlos Lopes, fiz a 1ª meia maratona em 1:46h e a 2ª meia maratona em 2:03 (tempo total: 3:49). Ora, a progressão poderia continuar com uma primeira meia maratona mais forte que a segunda... No entanto, desta vez vou tentar aumentar o equilíbrio no desempenho nas duas meias maratonas. O que mais tenho lido nos posts dos companheiros da blogosfera é que devemos ser mentalmente comedidos nos primeiros 30 Km, para estarmos fortes nos últimos 12… Tenho que ser capaz de fazer isto. Há cerca de 15 dias atrás, na meia maratona Sport Zone não fui capaz de gerir esse esforço, mas acho que foi esse o momento da constatação de que tenho que ser capaz de fazer a primeira meia maratona mais lento.
Outra constatação, por muito óbvia que seja (a mente é mesmo assim), é a de que os tempos a que aspiramos e que realizamos são resultado directo do treino que fazemos. É claro que isto é o que vem em todas as revistas ou livros da especialidade,mas dito assim até parece uma grande conclusão :). Eu, com os meus 475Km desde Agosto, não posso aspirar a tempos semelhantes aos de quem fez 600Km, 700Km, 900Km… Nem o facto de acumular horas e quilómetros de natação e bicicleta me pode colocar num patamar que não seja o de alguma parcimónia. É certo que gostava de fazer um tempo abaixo das 3:30h, mas não tenho treinos para tal. Vou tentar decidir o tempo que vou tentar fazer com o avançar do tempo, procurando avaliar-me ao fim dos 10 Km, dos 15Km, dos 21Km, dos 25Km e dos 30Km. Vou partir a pensar no ritmo dos 5min/Km, mas não vou querer forçar e abrando se me sentir a ultrapassar o que posso. Se chegar ao fim da 1ª meia maratona com 1:50h, poderei aspirar às 3:40h… mas só será possível se chegar aos 30Km capaz de fazer 12Km em ritmo próximo dos 5:15min/km. Acima disto, ainda fico contente se melhorar o meu tempo de Lisboa (3:49:21). Só fico triste se tiver que desistir :).
Parece-me que nunca estive tão capaz de correr a distância como estou agora, porque fiz mais treinos longos e com mais comodidade. No entanto, a minha forma é menor do que em Maio passado. Tenho menos treinos de intensidade e menos séries. Para além de tudo isto, não posso esquecer que são as experiências que procuro. Não tenho grandes objectivos para além de ir melhorando as marcas… pelo menos para já.
Assim, espero ter o prazer do momento de acabar mais uma maratona, do prazer de me cruzar e incentivar os amigos da blogosfera, dos dois dedos de conversa no final… e chegar a casa com aquela euforia de quem ainda está sob efeito do feito…
terça-feira, 12 de maio de 2009
Gold Marathon Carlos Lopes 2
Cá estou no dia seguinte da minha 2ª maratona, a 5ª Gold Marathon Carlos Lopes… O que mais tenho ouvido por estes dias é que “esta maratona tem condições para ter muito mais sucesso” … de facto concordo e o que há a melhorar é muito mais simples do que possa parecer. Ponto de partida: não se pode ser indiferente aos atletas que querem preparar e participar num evento destes (apesar do Carlos Lopes – e a Rosa Mota – fazerem a parte deles ao apoiarem de forma convicta todos os participantes no decorrer do evento).
As minhas sugestões:
- É imprescindível que o site tenha informação actualizada e fidedigna (pelo menos desde 9 meses antes da realização do evento) uma vez que é o principal meio de acesso a esta informação, nomeadamente os eventuais participantes estrangeiros (devendo haver alguém a responder rapidamente a todos os contactos via e-mail);
- Provas simultâneas à maratona (idealmente uma Meia-maratona e caminhada) que mobilizem a população e a cidade para o evento;
- Deve ser dado o apoio básico no dia do evento, isto é:
- (a) transportes (que inclui a coordenação entre transportes públicos e o evento ou a adaptação do evento aos horários dos transportes públicos - ver relato abaixo);
- (b) abastecimentos (sólidos e líquidos) cada 5 Km na 1ª Meia-maratona e cada 2,5 Km na 2ª Meia-maratona;
- (c) orientações/informações para os participantes em prova, com a marcação cuidada da quilometragem e dos locais de abastecimento/wc.
Atenção que o Carlos Lopes, a Rosa Mota a Aurora Cunha e outros/as merecem tudo, pelo que fizeram por todos nós e pelo que fazem pelos que se aventuram nesta e noutras maratonas.
Se é verdade que esta maratona poderia ter muito mais gente, também é verdade que com tão pouca gente teve características únicas. Nunca participei numa grande maratona internacional (antes desta, a minha única maratona tinha sido a 5ª Maratona do Porto, que teve cerca de 800 atletas no final, em que mais de 50% eram estrangeiros), mas já estive no meio de eventos com grandes massas de pessoas, como foi o caso da recente Meia-maratona da Ponte 25 de Abril (2009), que teve cerca de 35.000 participantes, ou da corrida do dia do pai (no Porto) com cerca de 15.000… De facto, comparando a maratona Carlos Lopes com estes eventos, mais parecíamos um grupo de amigos que se tinham juntado para fazer uma maratona, em que o percurso estava com o trânsito cortado, bem policiado e em que ainda estávamos combinados com alguns parceiros de corrida e familiares que nos foram ver/acompanhar/apoiar… Pareceu-me tanto uma maratona de um grupo de amigos, que o facto de ninguém (residentes e turistas) parecer saber da sua realização, tal foi a insignificância da divulgação, parecia deixar toda a gente surpreendida com o grupo de “maluquinhos que tinham conseguido cortar o transito para fazer uma corrida”… Ao ponto de ser fácil para nós, maratonistas, ver os olhares de surpresa-questionamento-indiferença (dos residentes) ou de surpresa-questionamento-apoio (dos turistas)… Estas circunstâncias pareceram-me ter criado condições únicas para esta maratona/experiência… A minha história de corridas é curta, mas houve algo de pouco provável que eu vivi neste evento. Conversei com muitos parceiros maratonistas, percorri zonas desertas de transeuntes e automóveis num Domingo de manhã em Lisboa, atravessei a baixa com os “tais” olhares surpreendidos e, no meio disto tudo, o maior grupo de apoiantes que encontrei foi os dos R4F (organizados no apoio aos diversos participantes) e o meu grupo de apoiantes que incluiu a minha mulher, filho, cunhada Filomena e respectivo Pedro… na meta, ainda lá estavam a prima Ana, o respectivo (outro) Pedro e a Ana Rita (filha)… apetece dizer “e esta humm!”
Mas vamos lá tentar o relato do meu ponto de vista maratonista:
Como tenho família em Lisboa, tinha combinado há muito este fim-de-semana. Na véspera dediquei-me ao convívio e à alimentação (acabei por conversar um pouco com o Pedro sobre as questões da alimentação – ele também tem a sua pancada pelo desporto – e, mesmo sendo eu iniciado, havia convergência entre as ideias dele e as minhas intenções/informações recolhidas). Antes disto tudo, pela manhã, fui levantar o dorsal onde fui informado da existência de um autocarro do Casino de Lisboa para o Casino do Estoril às 7 horas da manhã. No entanto, disse que iria de metro/comboio, tendo confirmado que poderia utilizar os transportes públicos com o dorsal...
Nesse dia deitei-me próximo da meia-noite (os mais novos da família tinham-se juntado lá em casa e houve brincadeira até mais tarde). Dormi bem e acordei por volta das 6:15h … depois de pequeno-almoço tomado, tal como estava programado, saí de casa com um t-shirt por cima da roupa de corrida (que seria para deitar fora depois do início da maratona) e um saco de plástico de tamanho gigante, com orifícios que o tornavam uma espécie de impermeável para utilizar caso chovesse nos meus percursos a pé até a corrida … também seria para me ver livre dele (nunca chegou a ser necessário). Apanhei o metro na Pontinha e tive que trocar na Baixa-Chiado. Não via ninguém com aspecto de participante numa maratona ou eventos associados (Bike tour e 5Km de corrida). No percurso até ao Cais do Sodré lá vislumbrei outros atletas. Algum receio que tinha de me ter informado pouco sobre o transporte para o Estoril estava dissipado… “Afinal estava orientado”, pensei… Chegado ao Cais do Sodré, como não era de Lisboa, optei por seguir os outros… e foi aí que estranhei os primeiros olhares de desilusão na consulta dos ecrãs que forneciam as informações sobre os comboios. Outro grupo perguntou ao segurança com respostas acompanhadas com reacções “estranhas”. Meti-me na conversa e a razão aí estava: só tínhamos comboio às 8 horas (eram 7:40) e este chegaria ao Estoril às 8:29 (o início da Maratona estava marcado para as 8:30). Colocámos a possibilidade de ir de táxi mas era incerto se o trânsito estava cortado e ninguém tinha dinheiro. O “pensamento” reconfortante foi o de que poderia haver um ligeiro atraso na partida… e tudo correria bem. O grupo que constituímos era eu, dois boxeurs (que não sei o nome) e o Rodrigo (que foi fazer os 5 Km). Conversámos um pouco e rapidamente estava na hora do comboio. Mantivemo-nos juntos e a viagem pareceu ser feita num ápice. De repente estávamos quase no Estoril e foi mesmo no comboio que fizemos os alongamentos a toda a rapidez (pensei que o pior era stressar… e tentei manter-me calmo). Chegado o comboio, ao longe avistamos o pórtico da largada e “pumm”… partida dada… subimos o Avenida Aida em passo de corrida, pelo passeio, cruzámo-nos com todos os participantes e rapidamente os assistentes da partida desmobilizavam quando a Rosa Mota nos avistou e pediu para esperarem. Assim foi, com o forte aplauso da Rosa Mota e do Carlos Lopes que iniciámos a maratona (os quatro do grupo que vínhamos juntos no comboio e um quinto elemento que vinha numa carruagem diferente da nossa). Eu, Rui Pena, fui mesmo o último a partir, cerca de 2 minutos depois de ter sido dada a partida (fiquei com a ideia que não houve leitura do chip porque a máquina estaria ligada… pelo menos o característico “piiiii” não se ouviu).
O início foi lento, muito lento mesmo, porque o importante era entrarmos na corrida. Mantive-me junto aos parceiros da viagem de comboio durante os primeiros momentos e depois aumentei um pouco o ritmo e fiquei apenas na companhia do Rodrigo até aos 5 Km – foi o meu primeiro parceiro de conversa em corrida (foi aqui que soube o nome dele – grande abraço se vieres a ler isto…). Quanto aos boxeurs, despedi-me deles dizendo que se calhar ainda me apanhavam lá mais à frente. E assim foi.Os primeiros quilómetros estavam sinalizados e fui percebendo que corria ligeiramente acima dos 5 min./Km. Era a companhia e a conversa que me arrastava para um ritmo ligeiramente lento (no meu plano teria que fazer 4:45 na primeira Meia-maratona). Procurei o meu ritmo, confortável e decidido. Não havia mais marcações da quilometragem! Estaria distraído? Olhava para trás e para a frente aos 30 min., aos 35 min. … procurava uma referência na quilometragem, mas nada. Mais um companheiro de corrida e conversa sobre tempos a que aspirávamos. Este acelerou para me alcançar… e depois outro… este segundo tinha GPS e disse estarmos com uma média por volta dos 5 min.. Eu tinha a sensação que ia mais lento que isso e tinha começado 2 minutos depois dele… Acabei por ter um acesso de lucidez e pensei que a conversa se estava a sobrepor ao ritmo e concentração que queria ter… Desejei boa prova e aumentei um pouco o ritmo… Houve um período em que conversei menos para não ficar retido. Foi passado um bocado que acabei por ficar ao ritmo de dois colegas “mais experientes”, um deles com mais de 20 maratonas e 64 anos… Falava muito… mas iam para as 3:30 – 3:40… O ritmo deles era bom para mim e deixei-me ficar com eles. À Meia-maratona tinha 1:46h, acima do que eu esperava, mas já começava a sentir que não podia aumentar o ritmo porque ainda faltava outro tanto. Aos 25 Km tinha 2:05h, mantinha-me com o mesmo grupo, agora acompanhados por dois runners que estavam a fazer a sua corridinha matinal numa parte do percurso da maratona. Pensei que o ritmo deles era mais forte do que o meu e estava a pensar deixar-me ir ao meu ritmo.
Fui religioso nos abastecimentos líquidos (todos os 5 Km, só água) e na alimentação de sólidos (barras energéticas e gel que trazia comigo, em pequenas porções antes dos líquidos). Aos 25 Km avisto o primeiro grupo de apoiantes minimamente organizados. Era a Beta (minha companheira de vida), o meu filho Xande, a Filomena e o Pedro, que passavam por uma autêntica claque … Já tinha pensado neles, mas foi muito reconfortante vê-los.
Nessa altura pensei que até ali não tinha avistado outros apoiantes que não corredores que iam felicitando e incentivando quem estava na corrida… e um ou outro olhar que aguardava o avistamento do respectivo familiar-corredor. É claro que isto assim escrito pareceu solitário, mas houve a conversa entre corredores… e o percurso… No final da prova haveria de ser questionado sobre a beleza do percurso (?), mas era das conversas, dos rostos dos parceiros, dos transeuntes, dos momentos de concentração na passada que mais me lembrava. Engraçado que agora que escrevo tenho na memória, de forma muito clara e intensa várias paisagens que fui (percebo agora) registando intensamente com o mar, as praias, os jardins e edifícios de vários e diferentes momentos do percurso …
Depois dos 25Km tive que urinar … e larguei o meu grupo. Quando retomei a corrida achei que poderia voltar a alcança-los, mas comecei a ser alcançado por atletas que anteriormente tinha ultrapassado. Continuava sem ter as referências dos quilómetros e achei que estava em quebra. Estávamos na baixa e foi aqui que vimos algum apoio dos transeuntes (mais dos turistas, é claro)… Como ainda era cedo, comecei a pensar em poupar-me. Aos 30 Km tinha aproximadamente 2:38h e achava que estava a “passar pela parede dos 30 Km”. Procurei aumentar o ritmo e seguir uns parceiros. Ainda assim fui, mas a quebra a sério ainda estava para vir, por volta das 3 horas de corrida e não consegui recuperar mais. Havia uma bolha no pé direito que me incomodava. Antes da prova cheguei a pensar que poderia fazer 3:30, na Meia-maratona duvidei muito disso, agora sabia que não chegaria lá, mas também nunca foi algo que perturbasse as minhas passadas. O objectivo era chegar ao fim e, mesmo sem saber por quanto, ao certo faria melhor que da minha primeira vez… Não fazia contas, nem tinha cabeça para isso… Lá revi colegas com quem antes tinha conversado e que agora passavam por mim… voltavam os cumprimentos e os desejos de “boa prova”…
Tinha comigo uns comprimidos de açúcar que comecei a tomar nesta altura, por volta dos 35 Km (imaginava eu, porque nem a sinalização aparecia, nem o tempo, agora, me dava boas orientações). De repente, com meio comprimido de açúcar na boca, seca, seca, seca, vejo escrito no chão a spray branco “35 Km” e, logo a seguir, “ABST” … O meu pensamento foi que estavam a falhar os abastecimento dos 35 Km, “logo o dos 35 Km”… e eu com meio comprimido de açúcar na boca a sugar-me a saliva até às entranhas! Olhei para o fundo daquela longa recta para ver se avistava o abastecimento (outras vezes tinha acontecido ver a referência a spray no chão e este estar 100-200 metros mais à frente)… mas nada. Olhei para trás para ter a certeza de que não o tinha passado. Ainda por cima estava praticamente sozinho, sem ninguém atrás ou à frente. Deitei fora o resto do comprimido e roguei umas pragas… Esqueci… Segui caminho, como podia e com a firmeza que podia… Pouco depois, meio escondido numa curva, lá estava o abastecimento. Como ia lento… e havia “um abastecimento só para mim”, pedi “duas águas… uma com tampa por favor”… parecia que estava no café. Recebi as águas, agradeci, não me pediram nada em troca, bebi a primeira, guardei a segunda e segui a minha odisseia… Aproximava-me do Parque das Nações onde sabia que estaria novamente a minha família … só pensava nisso, não havia tempo, dores, bolhas na minha cabeça… era uma grande alegria poder voltar a vê-los agora que os momentos eram tão difíceis. Lá estavam, agora com a companhia da Ana, do (outro) Pedro e da pequena Ana Rita… De tão contente que estava nem me apercebi que estava num empedrado, terrível, que iria durar mais 4 Km. De facto nem sabia que eram mais 4 quilómetros. Tinha 3:22 horas de corrida e o meu pensamento era que teria que seguir até ao fundo e voltar… depois já estava. Do lado contrário procurava os meus conhecidos (companheiros das conversas iniciais que me tinham ultrapassado) … ao cruzar-me com eles lá me foram dizendo que tinha uma “rotunda mais à frente… e com abastecimento” e que “estava quase”. Lá fiz a rotunda e pouco depois avistava o pórtico da meta… Houve um novo ânimo, voltei a ver a marcação da quilometragem no chão (41 Km), não me recordo do tempo que levava, mas pensei que faria abaixo das 3:50… Segui firme porque sabia que teria a minha família à espera, ali na primeira linha do público, em posição absolutamente privilegiada para me verem e para eu sentir o seu animo, acabei a olhar para eles, feliz…
domingo, 10 de maio de 2009
Gold Marathon Carlos Lopes - 3:49:21
Já está feita a minha segunda maratona...